NACIONAL

Dia Mundial da Vida Consagrada

‘A Igreja conta muito com o testemunho de vocês’, diz Dom Odilo

Por Fernando Geronazzo
11 de fevereiro de 2020

Na homilia, Dom Odilo agradeceu o fato de os consagrados serem testemunhas vivas do Evangelho na cidade

Luciney Martins/O SÃO PAULO

No domingo, 2, a Igreja celebrou a Festa da Apresentação do Senhor e o 24º Dia Mundial da Vida Consagrada. Na Catedral da Sé, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu missa com a participação de representantes de ordens, congregações e institutos de vida consagrada presentes na Arquidiocese e nas dioceses vizinhas. A celebração foi organizada pelo Regional São Paulo da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB-SP). 


Na homilia, Dom Odilo agradeceu o fato de os consagrados serem testemunhas vivas do Evangelho na cidade. “Que Deus os abençoe, os fortaleça, os ilumine e conceda a todos vocês um apreço sempre maior pelo dom que lhes foi concedido, pela graça que receberam, e, também, conceda alegria e generosidade por colocar esse dom a serviço do Reino de Deus, dos irmãos, da Igreja, que conta muito com vocês”, disse.  


“A todos nós, cabe valorizar a vida consagrada presente no meio de nós e rezar, pedindo a Deus que os faça firmes e fiéis no seu testemunho, na sua vocação”, convidou o Cardeal, ressaltando que a Igreja em São Paulo é agraciada com numerosos carismas e formas de vida consagrada. 


No fim da celebração, o presidente da CRB-SP, Padre Rubens Pedro Cabral, reafirmou a comunhão dos religiosos com o Arcebispo e com a vida e missão da Igreja em São Paulo. “Representando aqui a imensa e diversificada presença da vida consagrada nesta Arquidiocese, prosseguimos em comunhão com o sínodo arquidiocesano, em seu terceiro ano, agora vislumbrando os frutos das reflexões realizadas em 2019, para a definição das ações evangelizadoras na cidade”, disse.

SINAIS DA GLÓRIA NO MUNDO FUTURO

Desde as origens da Igreja, houve homens e mulheres que se propuseram a seguir mais livremente Jesus Cristo e a imitá-lo de modo mais fiel, por meio de uma vida inteiramente consagrada a Deus, vivendo a radicalidade da consagração batismal.  
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, os consagrados “se propõem, sob a moção do Espírito Santo, a seguir a Cristo mais de perto, doar-se a Deus amado acima de tudo e, procurando alcançar a perfeição da caridade a serviço do Reino, significar e anunciar na Igreja a glória do mundo futuro” (916).
A consagração religiosa não se dá por um sacramento, mas por meio da profissão pública dos três votos ou conselhos evangélicos: castidade, pobreza e obediência, acolhidos na Igreja por meio da família religiosa que a reconhece. 
Atualmente, a vida consagrada na Igreja se organiza em ordens, congregações religiosas, institutos de vida consagrada e sociedades de vida apostólica, manifestas em diversos carismas e missões em diferentes âmbitos da vida eclesial. 

UNIÃO COM DEUS 
“Ser religiosa significa dar prioridade essencial a Deus, dedicando-lhe a vida inteira”, afirmou a Irmã Maria José de Alencar, consagrada há 48 anos na Congregação das Missionárias da Ação Paroquial.
A religiosa explicou ao O SÃO PAULO que, sem intimidade com Jesus Cristo, a vida religiosa não tem sentido, “acabaria sendo uma profissão, não uma missão”. Nesse sentido, Irmã Maria José enfatizou que o serviço ao próximo desenvolvido pelas congregações só tem sentido na medida em que, a partir do encontro pessoal com o Senhor, abre-se o coração para identificar a presença do Cristo nos irmãos. 
Consagrada há 62 anos na Congregação das Filhas de São Paulo, Irmã Maria Antonieta Bruscato enfatizou que a consagração consiste na sede de união profunda com Deus. “Por meio do carisma e da espiritualidade específicos, vamos nos identificando com Cristo. Como diz São Paulo, devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo para um dia poder dizer: ‘Não sou mais eu quem vive, é Cristo quem vive em mim’”.

CONSELHOS EVANGÉLICOS
Essa união com Deus se concretiza na vivência dos votos, que mais do que um compromisso jurídico, é a expressão da liberdade humana entregue nas mãos de Deus, (leia mais no box).
 “Por meio dos votos, colocamo-nos em contraposição àquelas tendências fundamentais da pessoa humana: o ter, o poder e o prazer”, recordou Irmã Maria Antonieta. 
“Hoje, o mundo não prega a renúncia, mas a vida religiosa consagrada nasce com esse sentido de renúncia, de entrega de si. A motivação principal dos votos é o amor. Por um amor muito maior, abrimos mão de bens materiais, de um relacionamento, de uma família, e nos entregamos à vontade de Deus”, completou Frei César Külkamp, franciscano da Ordem dos Frades Menores há 31 anos. 

CAMINHO DE SANTIDADE 
Ao longo da história, foram os muitos homens e mulheres que alcançaram a santidade por meio da vida consagrada. Muitos sentiram essa vocação ainda na infância, como Santa Teresinha do Menino Jesus, que, aos 15 anos, recorreu ao Papa Leão XIII para pedir sua autorização para ingressar no Carmelo; ou São Luís Gonzaga, que, aos 9 anos, fez um voto privado de castidade, ingressando posteriormente na Companhia de Jesus. 
Há, porém, muitos exemplos de vocação tardia, como o da filósofa alemã Edith Stein, que, depois de tomar contato com as obras de Santa Teresa d’Ávila, converteu-se do 
Judaísmo ao Cristianismo e sentiu o chamado para abrir mão de sua carreira acadêmica e estabilidade de vida e ingressar no mosteiro carmelita aos 42 anos. Ela foi martirizada no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, em 1942. 
“A essência mais íntima do amor é a doação. Deus, que é amor, dá-se à criatura que Ele mesmo criou por amor.” Assim Stein definia sua vocação. (FG)

 

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