NACIONAL

Minas Gerais

A história de Marina (MG), a cidade projetada por Oscar Niemeyer

Por Redação
12 de setembro de 2017

A Noroeste de Minas Gerais, 90 mil hectares eram espaço que há 50 anos pensou-se construir a cidade projetada por Oscar Niemeyer

Do ponto mais alto da Fazenda Menino, que há meio século se estendia por 90 mil hectares, no Noroeste de Minas Gerais, distinguem-se a imensidão de terra, rios e ribeirões - que sofrem com a estiagem - vacas magras, buritis, cagaitas, e uma pista de pouso de 1,2 quilômetros, que corta o chão do cerrado, na zona rural de Arinos (MG). Esse cenário alimentou há 50 anos um dos projetos mais ambiciosos do País – paralisado por disputas de terra e, até agora, um capítulo oculto da história do Brasil. 

Trata-se da construção de Marina, a única cidade projetada por Oscar Niemeyer (1907-2012) no Brasil, à sombra de Brasília (DF). Um projeto audacioso assinado pelo arquiteto em meados de 1956, meses antes do início da construção da nova capital federal, encomendado pelo empresário Max Hermann, carioca de ascendência alemã que sonhava em construir uma cidade para 200 mil habitantes no Vale do Urucuia para homenagear a mulher, Marina Ramona. 

Se Brasília teve o “corpo” traçado por Lucio Costa, Marina era Niemeyer de corpo e alma. O projeto, que previa o paisagismo de Roberto Burle Marx (1909-1994) e execução do engenheiro Paulo Peltier de Queiróz, trazia traços do idealismo do arquiteto carioca. Uma cidade sustentável, tão almejada nos dias atuais, implantada ao lado de uma colônia agrícola, valorizaria a circulação de pedestres e garantiria a seus moradores “a calma e a segurança tão raras nas cidades modernas”, como define o próprio Niemeyer no Memorial Descritivo da Cidade Marina. Além disso, a cidade seria ligada por asfalto à futura capital federal, distante 200 quilômetros. 

Durante o governo do mineiro Juscelino Kubitschek (1956-1961), de quem Max Hermann era um entusiasta, anúncios de venda de terrenos ocupavam páginas inteiras nos jornais cariocas. Escritórios foram montados – inclusive em Belo Horizonte (MG), no Edifício Dantés, no Centro –, sob a promessa de acesso às imensas riquezas e possibilidades da nova capital e da região do Vale do São Francisco. 

Mas, o projeto foi ruindo ao passo que a política brasileira trocava de mãos. Em 1962, a Ruralminas, antiga autarquia responsável pela reforma agrária no Estado de Minas Gerais, considerou devolutas as terras de Hermann, adquiridas por meio de um espólio, o que deu início a uma batalha de décadas entre Estado e posseiros. A partir de 1964, com a ditadura militar, o projeto foi sufocado. 

A reportagem completa, composta por textos e vídeos foi publicada pelo jornal Estado de Minas e está disponível na internet em www.em.com.br/especiais/cidademarina.  

Fonte: Estado de Minas
 

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