NACIONAL

57ª Assembleia da CNBB

‘A Assembleia Geral é uma escola de fraternidade’

Por Fernando Geronazzo
09 de mai de 2019

Ao concluir o mandato, atual Presidência da CNBB avalia os trabalhos realizados nos últimos quatro anos e os temas da 57ª Assembleia Geral.

(Foto: CNBB)

Na tarde desta quinta-feira, 9, penúltimo dia da 57ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP), a atual presidência da entidade, que conclui seu mandato, fez um balanço dos trabalhos no último quadriênio da Conferência e avaliou o evento realizado em Aparecida (SP), entre os dias 1º e 10.

O Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília (DF), que encera seu mandato como Presidente, retomou o caminho percorrido pela CNBB nos últimos quatro anos, ressaltando que a entidade procurou respeitar, valorizar as diversas instancias da Conferência Episcopal.

“A presidência não age sozinha. Procuramos, ao máximo, respeitar e valorizar o Conselho Permanente, o Conselho de Pastoral (Consep) e a Assembleia Geral, também dando maior atenção aos Regionais da CNBB”, relatou Dom Sergio, mencionando os encontros promovidos pela Conferência com os bispos da Região Amazônica e dos cinco regionais do Nordeste.

MENSAGENS

Em relação às 50 notas e mensagens publicadas pela CNBB nesse período sobre variados temas, o Cardeal da Rocha enfatizou que essas manifestações sempre olharam para a realidade brasileira, os desafios no contexto social, político, econômico e cultural. “A missão da Igreja é profética, isto é, anunciar o Evangelho nas condições concretas em que se vive em cada momento, tendo sempre como grande fontes e critérios a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja”.

“A Conferência Episcopal não é nem pode ser confundida com um partido político, seja de oposição, seja de situação”, acentuou Dom Sergio, lamentando que haja interpretações equivocadas de pronunciamentos ou de posições do episcopado.

Também foram publicadas durante essa gestão, a tradução oficial da Bíblia Sagrada da CNBB e dos documentos do Concílio Vaticano II.

DIÁLOGO

O Cardeal da Rocha destacou que CNBB se esforçou para ser um instrumento de comunhão na vida da Igreja e da sociedade.

No âmbito eclesial, além de promover a unidade entre os bispos brasileiros, a Conferência cultivou a comunhão com a Sé Apostólica, em especial com o Papa, a quem a Presidência realizou visitas anuais.

Para além da Igreja, a Entidade manteve o diálogo com os três poderes da República e com a sociedade civil organizada. “A CNBB continua sendo muito procurada pela sociedade civil [...]. Nós temos buscado, naquilo que é competência nossa, preservar sempre a autonomia das instituições.

SERVIÇO

Dom Sergio recordou as iniciativas de serviço evangelizador e solidariedade da CNBB no último quadriênio.  “São vários projetos missionários que ocorrem com o apoio da CNBB, como, por exemplo, no Haiti, em Guiné-Bissau, Timor Leste”, destacou.

Das inciativas de solidariedade, o Presidente citou a ações de apoio às vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), o recente ciclone que devastou Moçambique e a acolhida dos imigrantes venezuelanos no País.

ASSEMBLEIA

A avaliação da 57ª Assembleia Geral foi feita por Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Salvador (BA), que conclui o mandato de Vice-Presidente da CNBB. Ele chamou a atenção para o tema central do encontro que reuniu mais de 300 bispos brasileiros – a aprovação as novas Diretrizes Gerais da Evangelização da Igreja no Brasil (DGAE) – d e para a eleição da nova presidência para o quadriênio 2019-2023.

Sobre as DGAE, Dom Murilo explicou que o episcopado tem consciência de que não é possível pensar em diretrizes que possam servir para todo o Brasil, mas que cada diocese irá adaptá-las a cada realidade.

Ao falar das eleições da nova presidência, o Arcebispo de Salvador enfatizou que a renovação da gestão é benéfica para todas as instituições. Além do Presidente, dois Vice-Presidentes e Secretário-Geral. Foram eleitos os presidentes das 12 comissões episcopais pastorais da entidade e os representantes da Conferência no Conselho Episcopal Latino-americano (Celam).

UNIDADE

Além desses dois assuntos, a Assembleia Geral abordou cerca de 40 temas diferentes da vida da Igreja no Brasil. no entanto, Dom Murilo enfatizou que oportunidade de convivência e partilha entre os bispos é a maior riqueza de uma Assembleia. “Trocamos ideias, conhecemos outros desafios, nos solidarizamos com os irmãos”, afirmou o Vice-Presidente, definindo o evento como uma “escola de fraternidade”.

“Aqui nós nos guiamos pelas palavras de Santo Agostinho: ‘Nas coisas essenciais deve haver unidade, nas acidentais, liberdade e em tudo, a caridade’”, lembrou Dom Murilo ao reforçar o ambiente fraterno da Assembleia.

O fato de o encontro anual da CNBB acontecer em Aparecida também é valorizado pelos bispos. “É muito importante para nós, estarmos à sombra de Nossa Senhora Aparecida”, afirmou Dom Murilo, lembrando que todos os dias os bispos celebram a Eucaristia com o povo de Deus, rezam entre irmãos ao longo do dia e realizam um retiro espiritual.

MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

Dom Leonardo Steiner, Bispos Auxiliar de Brasília (DF) que deixa o cargo de Secretário-Geral após dois mandatos, comentou a Mensagem ao Povo Brasileiro, publicado pelos bispos em Assembleia.

O Bispo explicou que a mensagem retoma a caminhada da CNBB nessa gestão.  “Quem acompanhou a trajetória da CNBB nesses quatro anos sabe o quanto nós falamos de ética, de corrupção, de violência, mas, ao mesmo tempo, o quanto nós falamos de diálogo e de fraternidade”, disse Dom Leonardo, recordando que também as Campanhas da Fraternidade realizadas nesse período ajudaram a refletir sobre esses temas que preocupam a sociedade.

“Ainda temos pela frente muita preocupação com as assim chamadas ‘reformas’, que são a da Previdência e a Tributária. Nós sempre incentivamos um diálogo, o debate a e a participação das nossas comunidades nessas realidades”, acrescentou o Secretário, recordando, ainda, a preocupação da CNBB com os povos originários e minorias, como indígenas e quilombolas.

NOVA PRESIDÊNCIA

Foram eleitos para dirigir a CNBB no próximo quadriênio Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) para o cargo de Presidente; Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre (RS) e Dom Mário Antonio da Silva, Bispo de Roraima, como Vice-Presidentes; e Dom Joel Portella Amado, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, como Secretário-Geral.

A nova Presidência e os demais eleitos tomarão posse dos cargos durante a cerimônia de encerramento da Assembleia Geral, nesta sexta-feira, 10, às 9h15.

(Com informações da CNBB)

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