INTERNACIONAL

PROBLEMA MUNDIAL

830 mulheres morrem por dia por causas relacionadas a gestação e parto

Por Jenniffer Silva
28 de mai de 2019

Até 2030, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 para cada 100 mil nascidos vivos

Reprodução da Internet

Neste exato momento, centenas de mulheres espalhadas pelo mundo se preparam ou estão prontas para dar à luz. O momento sublime do nascimento deveria ser, também, o ápice de alegria para todas essas famílias que por nove meses aguardavam a chegada de mais um membro. Porém, quase 900 mulheres morrem diariamente em todo o mundo, justamente quando deveriam nascer para a missão da maternidade.

MAS POR QUE ISSO ACONTECE?

Hipertensão, infecções e hemorragia são as três causas mais comuns para o falecimento de mulheres durante a gestação, no parto ou uma semana depois de dar à luz. Essas complicações são consideradas causas diretas. Há, ainda, as indiretas, reconhecidas quando a gestante sofre com diabetes e doenças cardíacas.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) no Brasil, em um relatório informativo atualizado em agosto de 2018, afirma que a grande maioria dessas mortes poderia ser evitadas com acesso ao pré-natal adequado. O ideal é que já nos primeiros meses, esses fatores de risco sejam identificados e, dessa forma, a gestante passasse a receber o tratamento adequado.

META DO MILÊNIO

A Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou, em setembro de 2002, em um encontro com líderes de 189 países, a Declaração do Milênio, que estabelecia oito metas para serem cumpridas até 2015.

A quinta dessas metas é melhorar a saúde materna, justamente, devido ao grande número de mortes relacionadas à gestação e ao parto. Para o Brasil, o objetivo era, até 2015, chegar a marca de, no máximo, 35 mortes maternas para cada 100 mil nascidos vivos. Entretanto, o País ainda regista 62 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Ou seja, mesmo após quatro anos do fim da meta, o País ainda tem quase o dobro de óbitos, índice é muito maior que o limite aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 20 falecimentos para cada 100 mil nascidos vivos.

UM PROBLEMA HUMANO

Adolescentes menores de 15 anos e mulheres que vivem em países em desenvolvimento estão mais vulneráveis à morte materna, neles há mais registros de complicações na gravidez e no parto.

Segundo a OPAS, a chance de uma mulher com até 15 anos morrer por uma causa materna é de 1 em 4,9 mil nos países desenvolvidos, contra 1 em 180 nos países em desenvolvimento. Os dados evidenciam que a saúde da mulher é um problema emergencial em todo o mundo, sobretudo em países mais pobres.

De acordo com a instituição, em 2015, apenas 40% de todas as mulheres grávidas em países de baixa renda tiveram o número de consultas de pré-natal recomendadas, quando nos países de alta renda, quase todas realizaram ao menos quatro consultas de pré-natal, e foram atendidas por um profissional de saúde qualificado durante o parto e após o parto.

Um dos fatores planejados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, na agenda 2030, é de reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 por cada 100 mil nascidos vivos

AVANÇOS E OBJETIVOS

O Ministério da Saúde informou, em nota, que de 1990 a 2015, o Brasil registrou queda de 57% dos casos.

A hemorragia no pós-parto é uma das maiores causas de mortes na região das Américas. Por esse motivo, a OPAS e o Ministérios da Saúde desenvolveram, em 2014, a campanha estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia.

Desde 2015, quando o projeto entrou em vigor os estados do Tocantins, Maranhão, São Paulo, Pará, Minas Gerais, Ceará e Bahia já foram contemplados pelo programa que oferece oficinas de capacitação da equipe médica.

A pasta informou à reportagem que vem implementado políticas e estratégias além do projeto em parceria com a OPAS, como: a Rede Cegonha, o Projeto de Aprimoramento e Inovação no Cuidado e Ensino em Obstetrícia e Neonatologia e o Projeto Parto Cuidadoso. Essas ações buscam fortalecer a humanização do atendimento das gestantes, a melhoria da atenção no pré-natal, nascimento e pós-parto pautados na orientação e qualificação, tanto no âmbito da atenção primária quanto na urgência e emergência.

De acordo com o Comitê de Vigilância da morte materna, infantil e fetal, só em São Paulo 47 mulheres morreram em 2017, por 100 mil nascidos vivos.

FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS

A Associação de Ginecologia Obstetra do Estado de São Paulo (SOGESP), formada por profissionais de obstetrícia e ginecologia, devolveram um curso de emergência em Obstétricas. Vera Borges, livre docente da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (SP), diretora de Eventos da SOGESP no regional Centro-Oeste e uma das idealizadoras do curso, explicou que “o curso é pautado nas causas de morte materna, nós orientamos como tratar, como atuar diante das causas. Com isso, nós geramos mais profissionais para tratar os três tipos de causa de morte materna”.

Ela enfatizou a necessidade de um trabalho conjunto, pautado no atendimento multiprofissional, responsabilizando o estado para garantir o atendimento de pré-natal adequado.

Todas as informações para a participação do curso preparatório podem ser acessadas no site da SOGESP.

Com informações OPAS

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