SÃO PAULO

Ordenações na Arquidiocese

11 padres e uma missão: testemunhar Cristo na cidade

Por Nayá Fernandes
29 de novembro de 2017

No sábado, 25, foram ordenados por Dom Odilo Pedro Scherer 11 sacerdotes para a Arquidiocese de São Paulo

Luciney Martins/O SÃO PAULO

Fez-se um grande silêncio na Catedral da Sé. O momento era de oração e gratidão a Deus pelos 11 diáconos ordenados presbíteros na Arquidiocese de São Paulo, no sábado, 25, às 15h. Primeiro o presidente da celebração, Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo e, em seguida, todos os padres concelebrantes, impuseram as mãos sobre aqueles que estavam sendo ordenados. Com a Prece de Ordenação, seguida da vestição, da unção das mãos e da entrega do pão e do vinho, os até então diáconos passaram a ser chamados, até o fim da celebração, de neossacerdotes.

Na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, a missa teve um rito próprio e foi concelebrada pelos bispos auxiliares e muitos outros sacerdotes, que puderam renovar suas promessas sacerdotais e acolher os novos irmãos no ministério. Enviados para as seis regiões episcopais da Arquidiocese, os neossacerdotes foram acolhidos com muita alegria por toda a comunidade de fiéis.

Chamados pelo nome, logo após a proclamação do Evangelho, os que estavam sendo ordenados responderam um forte e solene “presente” e aquele que, até então, era o responsável pela formação dos diáconos, o Reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor, Padre Cícero Alves de França, pediu ao Pai: “Reverendíssimo Pai, a Santa Mãe Igreja pede que ordenes para a função de Presbíteros estes nossos irmãos.” O diálogo entre o Reitor e Dom Odilo continuou, até que todos responderam: “Graças a Deus!”

Durante a homilia, o Cardeal manifestou sua grande satisfação pela ordenação sacerdotal. “Quero manifestar minha alegria por esta celebração de novos sacerdotes para nossa Arquidiocese. Naturalmente, é fruto da graça de Deus. É Deus que chama à vocação e dá força para perseverar. Fruto, também, de uma resposta generosa de vocês que, tendo ouvido o chamado de Deus, se apresentaram diante da Igreja para receberem a formação e se encarregarem de servir o povo de Deus como presbíteros. É também fruto do trabalho de muitas pessoas. Desde os familiares e as comunidades que os apoiaram, os padres e professores que trabalham no Seminário. É fruto, igualmente, da generosidade do povo de Deus, que apoia de muitas formas, às vezes sem nem mesmo saber, quer com orações quer com a ajuda para manter o seminário. Por isso, hoje quero dizer a todos um muito obrigado por todo o apoio e ajuda na formação dos novos sacerdotes e pedir que continuem apoiando.”

Na Solenidade, já com a liturgia que encerrou o ano litúrgico e, na Igreja no Brasil, abriu oficialmente o Ano Nacional do Laicato, Dom Odilo disse ainda que tipo de reino é aquele que Jesus veio trazer à terra. “O Evangelho nos apresenta Cristo Rei Pastor, Cristo Rei Juiz, aquele chamado para levar ao mundo a misericórdia de Deus. Os ministros ordenados devem anunciar a grande esperança, da participação com Cristo no seu Reino. Somos anunciadores da Boa Nova, da Esperança. O Papa Francisco tem recordado que devemos ser ministros da Esperança, bem como todo o povo de Deus. Devemos anunciar ao mundo a esperança, que vem do Evangelho e da nossa fidelidade às promessas de Deus.”

Com a comunidade

A pequena Ana Ligia, de 9 meses, estava no colo do pai, Tiago Lima; enquanto a Maria Clara, 2, e a Gabriele, 5, estavam sentadas no chão da Catedral, perto do presbitério com a mãe Débora Lima. A família veio participar da celebração em que o amigo e padrinho de casamento, Christopher Velasco, foi ordenado sacerdote. “Os pais do Christopher eram os coordenadores do grupo de Jovens Anjos da Vida e, por isso, o conhecemos desde que ele tinha 7 anos. Nós nos aproximamos muito da família dele. Estávamos esperando este momento para batizar, no dia 20 de janeiro, a Ana Lígia”, contou à reportagem Tiago, que estava presente no momento em que Christopher anunciou que entraria no seminário e também na celebração de ordenação diaconal.

Padre Valeriano dos Santos, Diretor da Faculdade de Teologia da PUC-SP, salientou a importância do momento para toda a Igreja. “Eles são ordenados para enriquecer nossa Igreja, atender as necessidades pastorais e constituir mais uma força no clero, porque, como Dom Odilo frisou, a fraternidade sacerdotal é muito importante. Todos os padres impuseram as mãos e abraçaram os novos sacerdotes”, afirmou à reportagem.

Emília Delfina é Coordenadora dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão na Catedral da Sé, grupo do qual participa há mais de 40 anos. “Durante o Ano da Misericórdia, fiquei bem próxima do José Edson e recordo-me, perfeitamente, do dia do velório de Dom Paulo Evaristo Arns [1921-2016], quando ficamos mais de 24 horas aqui. Ele é sempre muito disponível e alegre”, disse Emília, enquanto se vestia para participar de mais uma celebração de ordenação presbiteral, dentre tantas outras que já serviu como Ministra.

Vânia Lúcia da Silva, por sua vez, participou pela primeira vez de uma missa “tão emocionante”, como ela mesma disse. Junto ao esposo e aos filhos, Alice, de 3 anos, e João Miguel, de 1 ano e 8 meses, Vânia faz parte da Comunidade Católica Voz
dos Pobres e conhece há muitos anos Rodrigo Moraes, que também foi ordenado naquela tarde.

Uma grande família

Muitas famílias foram à Catedral no dia 25: crianças de todas as idades, idosos, pais, mães e amigos dos novos padres. Em muitos momentos, houve palmas e expressões de alegria, demonstrando que a missa é uma grande ação de graças, principalmente pelo grande dom dado por Deus de continuar chamando para o Seu serviço pessoas dispostas a doar a vida como presbíteros ordenados.

“Foram nove anos e não nove dias. E eu estou feliz, porque foi isso que ele escolheu e abracei a causa, desde o início. Desde os 7 anos de idade, ele participa da Paróquia Santa Cruz de Itaberaba. Sempre percebi que ele poderia seguir este caminho. O Rodrigo tem uma personalidade forte e, por isso, sempre acreditei que ele ia perseverar no caminho. Ter, hoje, um filho sacerdote é uma honra, uma graça de Deus”, disse Maria do Carmo de Moura, 57, mãe de Rodrigo Felipe da Silva. Ela veio de Pernambuco para São Paulo, em 1979. Casouse e teve dois filhos, Érica Felipe da Silva, 34, e Rodrigo, 29.

Padre José Edson Santana Barreto agradeceu, em nome dos neossacerdotes, a presença de todos e falou sobre a graça da vocação sacerdotal. “Queremos louvar o dom de termos sidos agraciados com a certeza de que Deus nos chama para esta
vocação sublime. Configurados com Cristo Sacerdote, queremos viver a doação de nossas vidas às ovelhas a nós confiadas”, disse, lembrando, ainda, todos os que colaboraram para que eles pudessem chegar à ordenação.

O rito

O segundo grau da Ordem é o presbiteral, denominado também por sacerdotal. A ordenação presbiteral ou sacerdotal é constituída por seis partes: eleição do candidato; homilia; propósito do eleito; ladainha; imposição das mãos e prece de ordenação; unção das mãos e entrega da patena e do cálice. O rito de ordenação presbiteral é realizado dentro da missa, logo após a Liturgia da Palavra.

• Eleição do Candidato
O Diácono chama o ordenando, com as seguintes palavras: “Queira aproximar-se o que vai ser ordenado presbítero”. Em pé, o candidato coloca-se diante do Bispo, como sinal de prontidão, dizendo: “Presente”. O Bispo, então, interroga se o candidato é digno deste ministério. O Presbítero declara com convicção, após ter averiguado junto ao povo de Deus e ouvido os responsáveis, ser testemunha de que este candidato foi considerado digno. Tendo esta resposta, o ordenante diz: “Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem do Presbiterado”. E todos dizem: “Graças a Deus”.

• Homilia
• Propósito do Eleito
Após a homilia, o eleito, em pé, responde às interrogações feitas pelo Bispo com um decidido “Quero!”. O Bispo conclui, dizendo: “Deus, que te inspirou este bom propósito, te conduza sempre mais à perfeição”.

• Ladainha

• Imposição das mãos e Prece de Ordenação

Esta parte decorrente é tida como aquela que, no silêncio do coração, o Bispo e todos os Presbíteros presentes pedem a Deus pelo ordenando. Este, estando de joelhos, em silêncio, recebe a imposição das mãos do Bispo sobre sua cabeça e, posteriormente, as dos Presbíteros.

• Unção das mãos e entrega do pão e do vinho
O eleito é revestido com a estola sacerdotal e a casula. Em seguida, de joelhos, a palma das mãos do ordenado é ungida pelo Bispo com o óleo do Crisma. Os fiéis trazem o pão na patena e o vinho e a água no cálice, para a celebração da missa.
Por fim, o Bispo e o colégio dos presbíteros presentes o abraçam.
A missa prossegue.

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