SÃO PAULO

Esporte

100 anos de várzea em São Paulo

Por Vítor Alves Loscalzo
02 de julho de 2017

Apesar de estar um pouco esquecida, o futebol de várzea completa cem anos em São Paulo

Reprodução da Internet

Talvez poucos saibam, mas em 2017 o futebol de várzea em São Paulo completa cem anos. É verdade que a várzea anda um pouco esquecida, mesmo dentro do país do futebol e mesmo dentro de uma das cidades que mais têm tradição com a bola nos pés. Mas, o futebol de várzea não morreu: segue vivo e aguerrido, reunindo nos rincões de São Paulo verdadeiros amantes do futebol, que reencontram nas quatro linhas com pouca grama e muita terra o antigo sonho de ser jogador profissional.

Leandro Sabbag, 64, ex-jogador da várzea, falou ao O SÃO PAULO sobre seus tempos de boleiro: “Disputar os jogos de futebol de várzea era uma emoção, uma verdadeira emoção. Percorríamos de ônibus, de trem, de carona e a pé distâncias enormes, que hoje não se percorre mais... tudo isso para um único jogo. E a coisa era disputada, ninguém queria perder, todos deixavam o sangue em campo. Mas, além disso, a várzea é um meio de socialização. às vezes, pode até sair briga em campo, mas verdadeiros laços de amizade podem ser estabelecidos. O futebol de várzea é, também, uma resposta aos jovens que ficam nas ruas, sem acesso ao esporte”.

 

O PAULO E A VÁRZEA

Foi em 1917 que o críquete e as cavalgadas começaram a ceder espaço à prática do futebol nas várzeas do rio Tietê. Pouco a pouco, a nova modalidade conquistava o coração do paulistano, sem distinção de classe e de cor, confirmando que a várzea era grande o suficiente para o matuto e para o doutor.

Ainda naquele ano, foi realizada a primeira competição do futebol de várzea, organizada pela Associação Paulista de Esportes Atléticos. O torneio foi disputado por nove anos consecutivos, configurando-se como a terceira divisão no futebol paulista.

A medida que o futebol professional se consolidava em São Paulo, a Federação Paulista de Futebol (FPF), entidade máxima do esporte no Estado de São Paulo, criou um campeonato específico para o futebol varzeano, que foi disputado desde a década de 1940 até o ano de 1969.

Já na década de 1970, a organização do torneio amador ficou nas mãos da Secretaria Municipal de Esporte (Seme), configurando o Campeonato Varzeano da Seme. Em 1985, a Federação Paulista de Futebol entrou novamente em campo, reassumindo a organização do  torneio,  que recebeu o nome de Campeonato Varzeano da FPF, popularmente  conhecido  como Copa da Cidade.

Em 1993, o jornal A Gazeta Esportiva e a cervejaria Kaiser passaram a patrocinar o torneio municipal, de forma que, a partir de 1995, quando a empresa de bebidas assumiu oficialmente o patrocínio, o torneio teve aval da FPF e da Secretaria Municipal de Esporte, rebatizando-o de Copa Kaiser. A última edição da Copa Kaiser foi disputada em 2014, ano em que a cervejaria encerrou seu patrocínio.

 

E HOJE?

Grandes arenas, jogadores com altos salários, contratações milionárias e patrocínio de grandes empresas são alguns dos elementos que figuram no futebol profissional. Na várzea, claro, o papo é outro.

Danilo Rocha, 27, é jogador assíduo da várzea. Dentre os vários times que já defendeu, estão o Brasil FC e o Real Paulista. À reportagem, o engenheiro destacou a falta de estrutura do futebol de várzea, principalmente dos campos. No entanto, Danilo afirma que jogar na várzea é o que mais gosta de fazer, “não apenas pelo jogo, mas pela resenha e, principalmente, pelos vínculos que criamos com os envolvidos, inclusive com os adversários. Acredito que o futebol de várzea conserva aquele amor que o jogador tem pelo futebol. É verdade, também, que tem função de válvula de escape, diante da dura vida do paulistano”.

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