Liturgia e Vida

Abas primárias

Movidos pelo Espírito

PENTECOSTES 20 DE MAIO DE 2018

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante; o Cristo permanece no passado; o Evangelho é uma letra morta; a Igreja, uma simples organização; a autoridade, um poder; a missão, uma propaganda; o culto, um arcaísmo; a ação moral, uma ação de escravos. Mas, no Espírito Santo, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo ressuscitado se faz presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a comunhão trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se deifica.” Assim refletia sobre a ação do Espírito Santo no mundo e na Igreja o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Atenágoras, falecido em 1972. 

A palavra “espírito” significa “vento”. É o vento, em forma de sopro, que sai da boca de Jesus ressuscitado quando, ao anoitecer do dia da Ressurreição, ele sopra sobre os discípulos. “Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: ‘A paz esteja convosco’. E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos’”. 

Cinquenta dias depois, “os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então, apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo”.

Tente pegar as línguas de fogo, tente segurar o vento. O que disse Jesus a Nicodemos naquela conversa no fim do dia? “O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. O vento sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes nem de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3, 6.8). Tente prender o Espírito! “Não sufoquem o Espírito”, escreve Paulo aos tessalonicenses (5,19). “Não entristeçam o Espírito”, escreve aos efésios (4,30). 

Um só e mesmo Espírito derrama sobre nós uma profusão de dons “em vista do bem comum”. Recebam o Espírito e levem ao mundo o perdão. Isso não se faz consultando catálogo de leis ou parágrafos de regulamentos. A agilidade do Espírito nos torna criativos e capazes de dar a resposta que mais convém às interrogações do momento. Se não for assim, a Igreja será simples organização e a autoridade, só poder! Que o sopro do Espírito desfaça o gesso que nos prende e aqueça o frio que nos paralisa.
 

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