Comportamento

Abas primárias

Família e a educação da afetividade

No processo educativo dos filhos, é muito importante lembrar que, embora a estimulação da razão (cognição, intelectualidade) seja necessária, não se trata do único e nem do mais importante aspecto a ser trabalhado. Para que se formem de modo integral, é preciso lembrar que são constituídos por diversas dimensões e que cada uma tem sua importância e sua função para que cheguem a alcançar o seu potencial.

Uma dimensão muito importante na formação das crianças é a afetividade, e a família constitui o lugar privilegiado de vivenciá-la e educá-la. 

A afetividade é a dimensão humana relativa à capacidade de lidar com emoções e sentimentos. Tem relação com o sentir e não com o pensar. Por meio da vivência e da educação saudável da afetividade, conseguiremos formar pessoas capazes de responder emocionalmente de forma positiva nas relações que estabelecerem durante suas vidas. 

Desde muito pequena, a criança terá contato, em primeiro lugar, com emoções – que estão muito vinculadas ao aspecto bioquímico do funcionamento do corpo, causam sensações (medo – suor nas mãos, aceleração do ritmo cardíaco; nojo – sensação de enjoo; alegria – mudança no ritmo respiratório, euforia etc.), e, posteriormente, com sentimentos, que estão associados às emoções e que, porém, se dão de modo mais relacionado à memória, ao ambiente social.  Segundo a neurocientista Sarah Mckay: “Emoções ocorrem no palco teatral do corpo. Sentimentos ocorrem no palco da mente”. 

Educar a afetividade significa ajudar o pequeno a criar a possibilidade de lidar bem com as diferentes emoções e sentimentos que forem despertados nas relações, aprender a identificar os impulsos sem submeter-se sempre a eles e não viver motivado pelos desejos. 

Nós, pais, precisamos nos educar para poder educar os pequenos. É importante nos conscientizarmos do quanto nós mesmos estamos sujeitos aos nossos desejos, aos nossos impulsos ou valorizando excessivamente nossas emoções e sentimentos. Certamente, os sentimentos são parte integrante e importante de nós e é saudável que identifiquemos e possamos compartilhá-los com os demais. Porém, que isso seja feito com equilíbrio e liberdade, com a capacidade de identificarmos aqueles que são positivos e nos movem para o bem, e aqueles que são negativos e vão promover ações inadequadas. Se estamos atentos a isso e nos educamos, vamos poder promover um ambiente onde as emoções e sentimentos sejam vistos de modo positivo e que possibilite a ajuda que os filhos precisam para aprender a lidar bem com eles.

Num primeiro momento, a educação da afetividade pressupõe um ambiente acolhedor, amável e exigente, onde a criança se sinta amada e cuidada em todos os aspectos, inclusive afetivos – possa chorar, demonstrar insatisfações, ser acolhida, orientada e sentir-se segura. Um ambiente que não evite os pequeninos sofrimentos aos quais a criança estará sujeita, mas que a ajude a enfrentá-los para que ela se perceba fortalecida e capaz para isso. Na família, o carinho e a firmeza devem estar sempre presentes.

Já um pouquinho maiores, quando bem orientadas, as crianças poderão iniciar o processo de crescer em conhecimento próprio, conhecer suas fragilidades, suas facilidades, seu modo de reagir ao ambiente e às pessoas. Quando nos dedicamos a conhecer o temperamento de cada um dos filhos e os ajudamos a crescer no conhecimento próprio, estamos dando um passo importante na formação do caráter de cada um deles. É a partir do conhecimento que vamos verificar que aspectos precisam ser mais trabalhados, que virtudes cada um precisa conquistar. 

Ao contrário do que muitos pensam, não precisamos ser vítimas de nosso temperamento, de nossas emoções e sentimentos. Ao educarmos a afetividade, estamos promovendo a possibilidade de sermos e formarmos pessoas equilibradas, nas quais razão e afeto convivam de modo harmônico. 

 Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o blog Educando Na Ação
 
Para pesquisar, digite abaixo e tecle enter.