Encontro com o Pastor

Assembleias paroquiais do sínodo

A primeira etapa do nosso sínodo arquidiocesano, realizada ao longo de 2018 nas paróquias, prossegue com as reuniões mensais dos grupos, para uma renovada consciência sobre a vida e a missão da Igreja nas comunidades e organizações “de base” da Igreja. A Igreja, comunidade dos discípulos missionários de Jesus Cristo, manifesta-se lá onde as pessoas expressam sua fé ao redor do altar da Eucaristia, da Palavra de Deus, proclamada e acolhida com fé, e da caridade vivida com gestos e atitudes concretas. 

Essa primeira etapa do sínodo equivale a um grande VER da realidade de nossa Igreja em São Paulo. Não basta constatar se as organizações e estruturas pastorais e administrativas vão bem e funcionam. É preciso ver se a mensagem da Igreja está chegando às pessoas e se está trazendo o fruto esperado. É necessário refletir e ver como estão as pessoas em relação à Igreja, se estão distantes ou indiferentes, ou se participam e se interessam por aquilo que a Igreja prega e propõe. 

A Igreja é formada, acima de tudo, por pessoas e comunidades de fé, esperança, caridade e testemunho, animadas pela ação do Espírito Santo. Ela não é estrutura fria de organizações que funcionam por si e apenas a partir de planejamentos e técnicas. A Igreja é formada por pessoas fascinadas por Jesus Cristo, que se deixam conduzir pelo seu Evangelho e se tornam anunciadoras de Jesus Cristo e testemunhas da vida nova suscitada pelo Evangelho.

As paróquias, após terem feito suas reflexões sobre como a vida e a missão da Igreja acontece nos espaços de suas competências, farão suas assembleias do sínodo nos meses de outubro e novembro. A Comissão de Coordenação Geral do sínodo acaba de elaborar o Regulamento para essas assembleias paroquiais. No Regulamento, estão definidos os objetivos das assembleias paroquiais do sínodo arquidiocesano, o método, os participantes, a coordenação e as diversas competências e responsabilidades na realização das assembleias. O Regulamento para as assembleias já está publicado no Portal da arquidiocese de São Paulo

Matéria básica para a reflexão das assembleias paroquiais serão as contribuições mensais dos grupos do sínodo nas comunidades, como também os resultados dos dois levantamentos que serão promovidos sobre a realidade social, religiosa e pastoral de cada paróquia. Essas contribuições dos grupos e os dados dos levantamentos deverão ser analisados com atenção e discernimento evangélico, para tirar deles as consequências pastorais pertinentes. Como o assunto será abundante, as assembleias paroquiais deverão ser feitas em três sessões sucessivas, em dias diversos, pelas paróquias. Um instrumento de trabalho para a organização e coordenação de cada uma das três sessões ainda está em elaboração e também será divulgado em breve. 

A etapa paroquial do sínodo oferecerá importantes elementos para o conhecimento da realidade de nossas paróquias e de toda a arquidiocese de São Paulo e nos possibilitará avaliar onde nossa Igreja precisa melhorar sua presença e ação. O sínodo é um “tempo favorável” para ouvir o que o Espírito Santo tem a dizer à nossa Igreja em São Paulo. No livro do Apocalipse, lemos os apelos dirigidos a cada uma das sete Igrejas ou Comunidades da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Fila- délfia e Laodiceia. Cada uma delas é convidada a “ouvir o que o Espírito diz” àquela Igreja (cf. Ap 2-3). Deus nos fala pela palavra da Escritura e da Igreja, pela voz e os clamores do povo, pela voz das circunstâncias e pela realidade das coisas. Devemos estar atentos e abertos para acolher o que Ele nos diz. E é isso que o sínodo convida a fazer.

Cada paróquia também deve colocar-se à escuta daquilo que o Espírito Santo lhe está a dizer. Os dados dos levantamentos paroquiais, certamente, oferecerão muitos elementos que devem levar a uma séria reflexão e discernimento. Há mais tempo, a Igreja nos pede para passarmos de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária em tudo o que se faz e promove na paróquia. Uma paróquia que não é missionária envelhece e se esvazia bem depressa! 

Ser uma “Igreja em saída” é mais que uma frase de efeito, mas aponta para aquilo que cada comunidade deve fazer: ir ao encontro das pessoas, como o pastor vai ao encontro das ovelhas; tentar conhecer os motivos pelos quais muitos católicos se afastaram da Igreja e deixaram de participar; ter a preocupação com a evangelização e a transmissão da fé; fazer frutificar a fé cristã na vida social e nas relações comunitárias e públicas.

 

Cardeal Odilo Pedro Sherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 13/06/2018

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